Editorial
Quando a pressa para publicar pode virar um problema
Uma situação envolvendo o caso do advogado, investigado pela morte do filho de três anos, deixou uma importante lição para o jornalismo: a pressa para informar não pode ser maior do que a responsabilidade de checar.
Algumas páginas no Instagram divulgaram que ele seria solto e cumpriria prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. A informação não se confirmou.
Fica uma reflexão: até onde vale a pena correr para ser o primeiro?
Hoje, o imediatismo das redes sociais, a busca por likes, comentários e pela audiência fazem com que, em muitos casos, a checagem fique em segundo plano.
Só que informação errada pode ter consequências enormes. Ontem, talvez o impacto tenha sido menor porque se tratava de uma possível mudança na situação prisional de alguém. Mas, em outros casos, uma informação falsa pode destruir reputações, atingir famílias e provocar danos difíceis de reparar.
A mídia tradicional já nos ensinou, ao longo da história, que publicar sem checar pode custar caro. A internet também tem mostrado isso, e cada vez com mais frequência.
Por isso, fica a lição para quem publicou, depois apagou e se retratou.
E também fica o reconhecimento aos jornalistas profissionais que hesitaram, checaram e preferiram esperar a confirmação antes de publicar.
Parabéns pelo profissionalismo.
No jornalismo, ser o primeiro é importante. Mas ser responsável é muito mais.