Cidades
Esquema de sonegação de R$ 26 milhões no Tocantins usava galpão de fachada e motorista como laranja, diz polícia
A Polícia Civil do Tocantins investiga um esquema de sonegação fiscal que teria causado um prejuízo de aproximadamente R$ 26 milhões aos cofres públicos. A apuração, realizada no âmbito da Operação Vital, aponta que o grupo criminoso utilizava um galpão de fachada em Gurupi e um motorista como “laranja” para movimentar milhões de reais em cargas de bebidas alcoólicas.
Segundo as investigações, o esquema contava com a participação de contadores. Um dos investigados é Paulo César Maciel dos Santos, apontado como alvo da Operação El Dourado, que apura fraudes no agronegócio. Ele é considerado foragido da Justiça.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo adquiria bebidas em outros estados e emitia notas fiscais indicando como destino um endereço em Gurupi. No entanto, as cargas eram desviadas e entregues em Palmas, para a empresa AERO Distribuição, evitando o recolhimento correto dos tributos.
As investigações revelaram ainda que toda a logística era organizada por meio de grupos de WhatsApp, onde agenciadores orientavam os motoristas a ignorar o endereço informado nas notas fiscais e realizar a entrega diretamente na capital.
A polícia também identificou que a empresa VITAL – Comércio de Alimentos Ltda. estava registrada em nome de Moisés Gonçalves de Souza, motorista profissional que, segundo os investigadores, possui padrão de vida incompatível com o capital social de R$ 500 mil da empresa. O local indicado como sede funcionaria apenas como um galpão de fachada, sem qualquer movimentação real de mercadorias.
Além do motorista, a investigação aponta que outras pessoas sem capacidade financeira, inclusive uma pessoa em situação de rua, teriam sido utilizadas como sócias de empresas para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelo esquema.
Conforme a Polícia Civil, o suposto controlador das operações é José de Ribamar Pinto de Oliveira, que administraria as empresas por meio de procurações públicas e utilizaria terceiros para ocultar sua participação. O rastreamento de endereços de IP usados na emissão das notas fiscais também teria sido associado diretamente a ele, reforçando os indícios de envolvimento.
As empresas AERO Distribuição e VITAL – Comércio de Alimentos Ltda. foram procuradas, mas não haviam se manifestado até a última atualização do caso. As defesas dos investigados também não foram localizadas.
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