Meio Ambiente
COP30: Cerrado é destaque em proposta pela preservação das bacias Tocantins-Araguaia
Engenheira ambiental Maristela Rodrigues participa da conferência na Zona Azul da ONU em defesa das nascentes e da valorização do produtor rural como guardião do Cerrado brasileiro.
Durante as negociações da COP30, que acontecem a partir desta segunda-feira,10, até 21 de novembro, em Belém-PA, o cerrado terá representação na Zona Azul, espaço diplomático da conferência da ONU. A engenheira ambiental especialista em recursos hídricos, Maristela Rodrigues, representante da OSCIP Amigos do Rio, levará à mesa global um alerta que atinge especialmente as nascentes do Cerrado e os mananciais que deságuam nos rios Tocantins e Araguaia.
Esses rios são responsáveis pelo abastecimento de mais de 409 municípios da Região Hidrográfica do Bacia Tocantins Araguaia, que abrange os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará, Maranhão e o Distrito Federal. Os rios sustentam o ciclo da água, a produção de alimentos e o equilíbrio climático não apenas de Goiás, mas de todo o Brasil.
Estar na Zona Azul permitirá que Maristela dialogue diretamente com delegações internacionais e representantes do governo federal para propor soluções ao Cerrado, bioma responsável por abastecer oito das doze bacias hidrográficas do Brasil, como Tocantins, Araguaia, São Francisco e Paraná.
A engenheira ambiental explica que levará à COP30 a necessidade urgente de garantir que esses ambientes sejam mapeados, protegidos e manejados de forma sustentável, reforçando o papel do produtor rural como agente fundamental desse processo.
“Preservando os mananciais que vão desaguar no Araguaia e no Tocantins, estamos preservando todo o planeta. Precisamos garantir o volume de água de forma perene, manter o ciclo da vida, o ciclo das chuvas”, afirma Maristela.
Segundo a especialista, o discurso que coloca o agricultor como responsável pela degradação ambiental precisa ser superado e o produtor rural não pode mais ser retratado como vilão, mas como principal protagonista da conservação das águas.
“O objetivo da OSCIP é tirar o produtor rural do lugar de vilão e colocá-lo como herói. Ele é guardião das nascentes, da APP (área de preservação permanente) e da Reserva Legal e produz alimentos que chegam à nossa mesa e sustentam economias inteiras”, afirma.
Maristela Rodrigues destaca ainda que muitas vezes a crítica contra o produtor ignora o esforço econômico e social que ele sustenta durante cada safra, pois são esses produtores os que mantêm comunidades inteiras através da atividade agrícola, gerando renda, emprego e alimento para diversas famílias. No entanto, conforme menciona a especialista, sem orientações adequadas, podem ser vistos como responsáveis pela degradação do meio ambiente.
“Ele emprega, movimenta serviços, gera renda e alimenta mais de centenas de famílias diretas e indiretas. E ainda assim é apontado como vilão porque plantou feijão para alimentar o país”, afirma.
Para a engenheira, o melhor caminho é orientar e apoiar quem produz e criar uma conscientização educativa, até mesmo para que o produtor não seja pego de surpresa com sanções e multas ambientais graves.
Pautas urgentes à COP30:
Áreas úmidas: o berço da água e reguladoras do clima
No Cerrado, as áreas úmidas, como veredas, campos úmidos e matas de galeria, funcionam como esponjas que retêm água da chuva, alimentam nascentes e regulam o clima. Conforme defende a engenheira, essas áreas precisam ser identificadas, protegidas e catalogadas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), por serem fundamentais para a microfauna e para o microclima, que equilibram o clima de cada região do Cerrado.
“O microclima é o clima específico de pequenas áreas e a sua alteração prejudica a temperatura, a umidade, a biodiversidade e o sistema regulador de chuvas locais. Sem isso, o ciclo hídrico se rompe. Preservar áreas úmidas não beneficia só o estado de Goiás. Mantemos o equilíbrio hídrico que abastece as bacias do Araguaia e Tocantins e preservamos ciclos essenciais para o Brasil e para o planeta”, explicou Maristela Rodrigues.
Expedições e educação ambiental
A Amigos do Rio ainda conduzirá uma expedição técnica com engenheiros e especialistas para identificar, diagnosticar e propor soluções sustentáveis para produtores rurais de Goiás. Além de atuação técnica, a OSCIP investe em educação ambiental para fortalecer a tomada de decisão correta no campo.
“Queremos mostrar quais ferramentas usar, quais manejos adotar, o que precisa ser feito para produzir e manter a sustentabilidade”, destaca.
O trabalho da Amigos do Rio é baseado em informação correta e prática sustentável. Para isso, uma expedição técnica será realizada ao lado de engenheiros e especialistas para mapear áreas sensíveis e orientar manejos adequados. A proposta é ensinar a produzir de forma sustentável, não punir sem oferecer orientação.
“Vamos mostrar o que pode, o que não pode, quais mecanismos usar, como manter a produção e a sustentabilidade ao mesmo tempo.”
Sobre a OSCIP Amigos do Rio
A organização atua há mais de cinco anos no norte de Goiás, com ações de educação ambiental, diagnóstico de nascentes e orientação técnica a produtores rurais, sempre com foco na preservação dos recursos hídricos e no desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

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