Comunidade
Desabamento da Ponte JK completa um ano com três desaparecidos e sem responsabilizações
O desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, conhecida como Ponte JK, na BR-226, entre os municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), completa um ano nesta segunda-feira (22). A tragédia ocorreu em 22 de dezembro de 2024, quando o vão central da estrutura cedeu e lançou veículos e pessoas no Rio Tocantins. Ao todo, 14 mortes foram confirmadas e três vítimas seguem desaparecidas. Uma pessoa sobreviveu.
Construída na década de 1960, a ponte era um dos principais eixos de ligação do corredor rodoviário Belém-Brasília. No momento do colapso, um vereador registrava em vídeo as condições da estrutura e acabou flagrando o instante exato da queda, imagens que ganharam repercussão nacional.
Além das perdas humanas, o desabamento provocou forte impacto logístico na região e levantou alertas ambientais, já que caminhões transportando substâncias tóxicas, como ácido sulfúrico e agrotóxicos, caíram no rio, gerando preocupação quanto à contaminação das águas.
Sete meses após o acidente, laudo da Polícia Federal apontou que o colapso foi causado pela combinação de excesso de peso, deficiência estrutural e falta de manutenção adequada. O documento também indicou possível omissão de agentes públicos. Apesar disso, o inquérito segue em andamento e, até o momento, ninguém foi responsabilizado criminalmente.
Em fevereiro de 2025, a estrutura remanescente da ponte foi implodida para permitir a construção de uma nova travessia. A nova ponte, considerada estratégica para o tráfego entre o Tocantins e o Maranhão, está prevista para ser inaugurada nesta segunda-feira (22), exatamente um ano após a tragédia.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que abriu uma Investigação Preliminar Sumária (IPS) na Corregedoria para apurar as responsabilidades pelo desabamento. À época, o superintendente responsável pelo trecho foi exonerado. Em nota, o órgão afirmou que a apuração ainda não foi concluída e que, por isso, não é possível antecipar detalhes.
Enquanto familiares das vítimas ainda aguardam respostas, e, no caso dos desaparecidos, a chance de um desfecho definitivo, o aniversário de um ano do desabamento da Ponte JK reforça o debate sobre a manutenção de estruturas antigas, a fiscalização do tráfego pesado e a responsabilização do poder público diante de tragédias anunciadas.
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